Você investe uma fortuna em uma colheitadeira ou trator. Em 2025, o Brasil vendeu 52.124 tratores e 3.410 colheitadeiras, movimentando R$ 66,75 bilhões no setor de máquinas agrícolas. Mas aqui está o problema que ninguém te conta na concessionária: depois de uma ou duas safras, a pintura já está desbotada, descascando e os primeiros pontos de ferrugem começam a aparecer.

Enquanto isso, a máquina do seu vizinho, com o mesmo tempo de uso, parece ter saído da concessionária ontem. Qual é o segredo? A resposta quase nunca está na qualidade da máquina original, mas sim na qualidade e no método da repintura. Uma repintura mal feita não é apenas um problema estético. É uma decisão que acelera a desvalorização do seu ativo e abre as portas para custos de manutenção muito maiores no futuro.

Neste guia, vamos aprofundar nos desafios técnicos reais que levam à falha prematura da pintura agrícola e como um sistema de pintura industrial, pensado especificamente para o trabalho pesado do campo, pode proteger seu investimento por muito mais tempo. Sem achismos, com dados de campo e especificações técnicas que fazem diferença na prática.

Os quatro inimigos invisíveis que destroem a pintura da sua máquina

O ambiente agrícola não é apenas agressivo. É sistematicamente destrutivo para revestimentos que não foram formulados para resistir a uma combinação específica de ataques químicos, físicos e ambientais. E o pior: esses ataques acontecem simultaneamente, amplificando uns aos outros.

Agressão química: quando o fertilizante vira ácido sobre o metal

O contato direto e constante com fertilizantes nitrogenados como ureia, sulfato de amônio e UAN (ureia e nitrato de amônio) cria um dos ambientes mais corrosivos da indústria. A solução UAN, por exemplo, é reconhecida como altamente corrosiva para equipamentos de aplicação agrícola, causando falhas não programadas e aumento exponencial de custos de manutenção.

Quando a ureia entra em contato com umidade (e o campo é um ambiente permanentemente úmido), ela se decompõe em amônia e dióxido de carbono. A amônia, por sua vez, reage com o aço formando complexos que aceleram a corrosão localizada, especialmente em juntas soldadas e áreas de concentração de tensão. Já os sulfatos presentes em fertilizantes à base de enxofre atacam a interface entre o metal e o revestimento, criando delaminação e bolhas que evoluem rapidamente para corrosão perfurante.

Tintas automotivas convencionais, formuladas para resistir a combustíveis e óleos, não têm resistência química adequada para suportar esse tipo de agressão prolongada. É por isso que a pintura de uma caminhonete que trabalha no campo descasca muito mais rápido do que a de um veículo urbano. Não é questão de quilometragem. É questão de química.

Abrasão severa: o campo lixa sua máquina todos os dias

Pedras arremessadas durante a colheita, galhos de soja e milho atritando constantemente contra a estrutura, poeira abrasiva com partículas de sílica, o contato com grãos em movimento. Cada safra significa centenas de horas de atrito físico direto sobre a película de tinta. E aqui está o problema: se a tinta não tiver dureza e resistência à abrasão adequadas, ela vai sendo literalmente "lixada" até expor o metal.

Estudos da indústria de tintas para implementos agrícolas mostram que revestimentos convencionais perdem entre 30% e 50% da espessura de filme original após duas safras intensas devido exclusivamente à abrasão mecânica. Quando a espessura cai abaixo do nível crítico de proteção, a barreira anticorrosiva é rompida e a corrosão se instala rapidamente.

É por isso que o sistema de pintura agrícola precisa ter não apenas aderência e resistência química, mas também dureza superficial elevada. E isso só se consegue com resinas de alta performance, como poliuretanos alifáticos de duas componentes, que formam películas com resistência à abrasão até 6 vezes superior às tintas de base alquídica convencionais.

Radiação UV intensa: o sol que queima a safra também queima a tinta

O campo brasileiro recebe algumas das mais altas taxas de radiação ultravioleta do mundo, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. E enquanto a soja e o milho usam essa energia para crescer, a pintura da sua máquina está sendo fotodegradada todos os dias, hora após hora, safra após safra.

O que acontece tecnicamente é o seguinte: a radiação UV quebra as ligações moleculares da resina que mantém os pigmentos unidos na película de tinta. Quando essas ligações são rompidas, os pigmentos ficam soltos na superfície, criando aquele aspecto de pó branco característico que chamamos de calcinação ou "chalking". Nesse estágio, a tinta perdeu completamente sua função de proteção. Ela ainda está lá visualmente, mas não protege mais nada.

Resinas epóxi, por exemplo, têm excelente resistência química e mecânica, mas degradam rapidamente sob exposição UV direta. É por isso que sistemas epóxi nunca devem ser usados como acabamento final em máquinas agrícolas. Eles precisam ser protegidos por uma camada de acabamento com estabilidade UV superior, como os sistemas de poliuretano de alta performance.

A diferença prática? Uma tinta comum de esmalte sintético começa a perder brilho e cor em 6 a 12 meses de exposição solar no campo. Um sistema PU (poliuretano) de alta performance, como os desenvolvidos especificamente para implementos agrícolas, mantém retenção de cor e brilho por 3 a 5 anos ou mais, mesmo sob exposição solar intensa.

Umidade constante: o inimigo que nunca dorme

Orvalho durante a madrugada, chuvas durante a safra, lavagens de alta pressão para remover barro e resíduos de colheita. A estrutura metálica de uma máquina agrícola passa mais tempo úmida do que seca. E a umidade é o catalisador fundamental de todo processo de corrosão eletroquímica do aço.

Quando há uma microfalha na película de tinta, mesmo uma descontinuidade invisível a olho nu, a umidade penetra e se acumula na interface entre o metal e o revestimento. A partir desse momento, começam reações eletroquímicas de oxidação que geram bolhas, delaminação e, eventualmente, ferrugem visível. E uma vez que a corrosão se estabelece sob a tinta, ela se espalha lateralmente, descolando áreas cada vez maiores do revestimento.

A única forma de evitar isso é garantir que o sistema de pintura forme uma barreira contínua, sem falhas, com excelente aderência ao substrato metálico e impermeabilidade à umidade. E isso só acontece quando três condições são atendidas: preparação correta da superfície, primer anticorrosivo de alta aderência e acabamento com resistência química e física adequados.

O erro que custa mais caro: falha na preparação de superfície

Aqui está um dado que muda tudo: mais de 70% das falhas em sistemas de pintura industrial ocorrem por preparação inadequada da superfície. Não é a tinta que falha. É a ancoragem da tinta ao metal que nunca existiu direito desde o início.

Pintar sobre ferrugem, resíduos de óleo, graxa, tinta velha mal aderida ou carepa de laminação é garantia absoluta de falha prematura. Não importa quão cara ou boa seja a tinta aplicada por cima. Se a base está comprometida, o sistema inteiro vai falhar. E no ambiente agrícola, onde os ataques químicos e mecânicos são intensos, essa falha acontece muito mais rápido.

Jateamento abrasivo: o padrão ouro que poucos alcançam

O tratamento ideal para preparação de superfície metálica antes da pintura é o jateamento abrasivo completo, que remove toda a ferrugem, carepa de laminação, contaminantes e tinta antiga, além de criar o perfil de ancoragem ideal para a aderência do primer. Esse processo garante que o primer epóxi tenha máxima aderência ao substrato.

O problema é que jateamento é caro, exige equipamento especializado e, na maioria das propriedades rurais, simplesmente não está disponível. Então o produtor acaba optando por métodos manuais ou mecânicos que, quando mal executados, deixam contaminação residual suficiente para comprometer todo o sistema.

Lixamento mecânico: como fazer certo quando o jateamento não é opção

Se o jateamento não for viável, o padrão mínimo aceitável é o tratamento mecânico rigoroso usando ferramentas elétricas como lixadeiras angulares, escovas de aço rotativas e discos abrasivos. O objetivo é atingir o nível de limpeza mais alto possível:

  • Remoção completa de toda a tinta solta, descascada ou mal aderida
  • Remoção de 100% da ferrugem visível até atingir o metal são
  • Eliminação total de carepa de laminação, respingos de solda e contaminantes
  • Criação de perfil de ancoragem com rugosidade adequada para aderência mecânica

Depois do lixamento, a superfície deve ser completamente desengraxada com solvente adequado e limpa de poeira e resíduos antes da aplicação do primer. Qualquer contaminação residual, por menor que seja, compromete a aderência e cria pontos de início de corrosão.

O sistema de pintura que funciona: Epóxi + PU Agrícola

Uma pintura durável não é uma única tinta aplicada em várias demãos. É um sistema técnico composto de duas camadas distintas, onde cada uma tem uma função específica e complementar. É exatamente assim que os fabricantes de máquinas agrícolas fazem nas linhas de produção. E é assim que uma repintura profissional deve ser feita.

Primeira camada: Primer Epóxi Bicomponente

A função do primer não é embelezar. É criar uma barreira anticorrosiva de alta aderência que isola o metal da umidade e ancora todo o sistema de pintura. E quando falamos de ambiente agrícola agressivo, não existe material melhor para essa função do que resina epóxi bicomponente de alto desempenho.

O Primer Epóxi Bicomponente da Eurolatina foi desenvolvido especificamente para aplicações que exigem máxima proteção anticorrosiva em ambientes de alta agressividade química. A base é resina epóxi Bisfenol A de alto peso molecular, curada com endurecedor poliamida, o que garante:

  • Aderência excepcional ao metal preparado, criando uma ligação química real com o substrato de aço
  • Barreira anticorrosiva robusta com pigmentação anticorrosiva ativa, protegendo contra umidade, fertilizantes e contaminantes químicos do campo
  • Resistência química superior a sulfatos, ureia, UAN e outros fertilizantes nitrogenados, impedindo a degradação da interface metal-tinta
  • Espessura de filme controlada entre 80 e 120 micrômetros por demão, criando a barreira física necessária sem risco de escorrimento
  • Rendimento técnico de 10 m²/L, permitindo cálculo preciso de material necessário para a repintura completa

A catálise do sistema é feita na proporção 3:1 usando o Catalisador CTL-30 da Eurolatina, garantindo cura completa e máximo desempenho das propriedades anticorrosivas. Pot life de 4 horas a 25°C, tempo suficiente para aplicação sem desperdício de material.

Segunda camada: Tinta PU Agrícola Bicomponente

O primer epóxi cria a proteção anticorrosiva de base, mas não pode ficar exposto diretamente ao sol. Resinas epóxi degradam rapidamente sob radiação UV, perdendo cor, brilho e, eventualmente, suas propriedades de barreira. É por isso que o sistema precisa de uma camada de acabamento que proteja o epóxi e resista aos ataques do ambiente agrícola.

As Tintas PU (Poliuretano) Bicomponentes são a escolha técnica correta para essa aplicação. Baseadas em resinas poliuretânicas alifáticas de alto peso molecular, essas tintas formam películas com propriedades únicas:

  • Altíssima resistência aos raios UV, mantendo retenção de cor e brilho mesmo após anos de exposição solar intensa no campo
  • Resistência química excepcional a fertilizantes, pesticidas, óleos diesel e produtos de limpeza usados na manutenção das máquinas
  • Dureza superficial elevada, resistindo à abrasão causada por grãos, galhos, pedras e poeira durante as operações de campo
  • Flexibilidade adequada para acompanhar as dilatações térmicas do metal sem fissurar, característica crítica em máquinas que trabalham sob sol forte
  • Acabamento de alta qualidade com excelente nivelamento, brilho profissional e uniformidade de cor

A espessura de filme seco recomendada para a camada de PU agrícola é de 50 a 70 micrômetros, aplicada em 2 demãos. Isso garante cobertura uniforme, resistência adequada e consumo otimizado de material. O intervalo de repintura entre o primer epóxi e o acabamento PU deve respeitar rigorosamente as especificações do boletim técnico. Intervalos muito curtos (primer ainda úmido) causam aprisionamento de solvente. Intervalos muito longos (primer totalmente curado) exigem lixamento de aderência para garantir ancoragem entre camadas.

Por que o sistema Epóxi + PU custa menos no longo prazo

Vamos falar de números reais. Uma repintura completa de um trator de médio porte usando esmalte sintético comum, sem primer adequado, tem um custo inicial atrativo. O problema é que essa pintura vai falhar em 12 a 18 meses de trabalho pesado no campo. Quando a ferrugem começa a aparecer, você tem duas opções: viver com a máquina enferrujada e aceitar a desvalorização acelerada do ativo, ou refazer a pintura.

Se você escolher refazer, vai gastar novamente. E de novo. E de novo. Ao longo de 5 anos, você pode facilmente fazer 3 a 4 repinturas completas, cada uma custando tempo de máquina parada, mão de obra e material. Sem contar a desvalorização progressiva da máquina, que afeta diretamente o valor de revenda ou de permuta na concessionária.

Agora compare com o sistema correto: Primer Epóxi Bicomponente + acabamento PU Agrícola. O investimento inicial é maior, sim. Mas a durabilidade esperada é de 5 a 7 anos ou mais, dependendo das condições de uso e manutenção. Isso significa uma única repintura no mesmo período em que você faria 3 ou 4 com o sistema convencional.

A economia direta em material e mão de obra já é significativa. Mas o ganho real está em três fatores que raramente entram na conta:

  1. Valorização do ativo: Uma máquina com pintura em perfeito estado, sem ferrugem visível, vale substancialmente mais na revenda ou permuta. A diferença pode chegar a 15% a 20% do valor total.
  2. Eliminação de paradas não programadas: Corrosão estrutural causada por falha de pintura pode exigir reparos emergenciais durante a safra, causando perdas de produtividade muito maiores que o custo da própria pintura.
  3. Redução de custos de manutenção preventiva: Estruturas bem protegidas não desenvolvem corrosão localizada que evolui para falhas mecânicas mais graves, reduzindo a necessidade de substituição de componentes.

Quando você soma todos esses fatores, o ROI (retorno sobre investimento) de um sistema de pintura de alta performance pode chegar a 4:1 ou mais. Para cada R$ 1 investido corretamente em proteção anticorrosiva, você evita de R$ 4 a R$ 5 em custos futuros.

Erros comuns que comprometem até o melhor sistema de pintura

Mesmo quando o produtor investe no sistema correto (Epóxi + PU), há erros de aplicação que podem comprometer completamente o resultado. E o pior: esses erros não aparecem imediatamente. A pintura fica bonita nos primeiros meses, dando a falsa impressão de que está tudo certo. O problema só aparece depois, quando a falha já está instalada e a única solução é refazer tudo.

Aplicar em condições climáticas inadequadas

Tintas bicomponentes epóxi e PU são sensíveis às condições de temperatura e umidade no momento da aplicação. A temperatura da superfície deve estar no mínimo 3°C acima do ponto de orvalho, e a umidade relativa do ar não pode ultrapassar 85%.

Por que isso importa? Quando você pinta com a superfície muito próxima do ponto de orvalho, ocorre condensação microscópica de umidade sobre o metal, invisível a olho nu. Essa umidade fica aprisionada sob a tinta, criando bolhas e comprometendo a aderência. Em poucos meses, a tinta começa a descolar exatamente por causa disso.

Da mesma forma, aplicar tinta em temperaturas muito baixas (abaixo de 15°C) ou muito altas (acima de 35°C na superfície) altera completamente o comportamento de cura das resinas, podendo causar desde escorrimento até cura incompleta com perda de propriedades.

Não respeitar os intervalos de repintura entre camadas

Cada sistema bicomponente tem uma janela de repintura. Esse é o intervalo de tempo entre a aplicação de uma camada e a próxima. A janela tem um tempo mínimo (para garantir que a camada anterior secou o suficiente) e um tempo máximo (depois do qual a superfície cura completamente e perde a capacidade de ancorar quimicamente a próxima camada).

Se você aplicar o acabamento PU antes do tempo mínimo, o solvente da nova camada ataca o primer epóxi ainda úmido, causando levantamento, rugas e perda de aderência. Se aplicar depois do tempo máximo sem fazer lixamento de aderência, a camada PU não cria ligação química com o epóxi, apenas assenta mecanicamente por cima. Com o tempo, essa interface fraca falha e a tinta descola em placas.

Diluir demais a tinta para "render mais"

Esse é talvez o erro mais comum e mais grave. Diluir a tinta acima do limite especificado no boletim técnico reduz drasticamente a espessura de filme seco. E espessura de filme não é apenas questão estética. É a própria barreira de proteção anticorrosiva.

Quando você dilui demais, a tinta fica fácil de aplicar, cobre uma área maior com a mesma quantidade de produto, mas a espessura final pode cair de 80 micrômetros (especificação correta) para 30 ou 40 micrômetros. Nesse ponto, a barreira já não é suficiente para proteger o metal. A corrosão começa a agir através do filme, e em poucos meses a ferrugem aparece.

A diluição correta está sempre especificada no boletim técnico do produto. Para primers epóxi e acabamentos PU da linha Eurolatina, a diluição máxima recomendada é de 5% a 10% em volume, apenas para ajuste de viscosidade conforme o método de aplicação (pincel, rolo ou pistola). Qualquer diluição acima disso compromete o sistema.

Manutenção pós-pintura: como fazer sua repintura durar ainda mais

Um sistema de pintura de alta performance aplicado corretamente pode durar 5 a 7 anos no ambiente agrícola. Mas com manutenção adequada, esse tempo pode ser estendido para 8 a 10 anos ou mais. E manutenção aqui não significa repintar. Significa cuidados simples que preservam a integridade do revestimento.

Lavagem correta: o que fazer e o que evitar

Lavar a máquina com jato de alta pressão é necessário para remover barro, resíduos de colheita e contaminantes. Mas o jato direto em pontos vulneráveis (bordas, soldas, cantos vivos) pode danificar mecanicamente o filme de tinta, criando pontos de entrada para umidade e corrosão.

A técnica correta é usar pressão moderada (máximo 1500 PSI), manter a pistola a pelo menos 30 cm da superfície e trabalhar com ângulo oblíquo em relação às bordas e cantos. Detergentes neutros são adequados. Produtos alcalinos fortes ou ácidos devem ser evitados, pois atacam quimicamente o revestimento ao longo do tempo.

Inspeção visual periódica: detectar pequenos danos antes que virem grandes problemas

A cada 6 meses, faça uma inspeção visual detalhada de toda a estrutura metálica. Procure por: riscos profundos que expõem o metal, amassados com trincas na tinta, pontos de ferrugem inicial, descascamento localizado em soldas ou cantos, e bolhas ou levantamento de tinta.

Quando detectar qualquer um desses problemas, corrija imediatamente. Lixe a área comprometida até o metal são, desengraxe, aplique uma demão de primer epóxi e, após o intervalo correto, aplique o acabamento PU na mesma cor. Esse reparo localizado custa muito menos e é muito mais rápido do que refazer a pintura completa depois que a corrosão se espalhou.

Proteção durante a entressafra

Se a máquina vai ficar parada por períodos longos durante a entressafra, proteja-a da exposição direta ao sol e à chuva sempre que possível. Galpões cobertos são ideais, mas mesmo uma lona de boa qualidade que deixe ventilação lateral (para evitar condensação) já faz diferença significativa na preservação da pintura.

FAQ: As dúvidas mais comuns sobre pintura agrícola

1. Posso usar apenas o Primer Epóxi, sem o acabamento PU, para economizar?

Não. O primer epóxi sozinho não tem resistência aos raios UV e vai degradar rapidamente quando exposto ao sol. Em poucas semanas, o epóxi começa a calcinar (perder pigmento e formar pó na superfície), perdendo suas propriedades de barreira anticorrosiva. O acabamento PU não é opcional, é parte essencial do sistema.

2. Qual a diferença real entre Tinta PU e Esmalte Sintético?

A Tinta PU (Poliuretano) é um produto bicomponente que cura através de reação química entre a resina e o catalisador, formando uma película de altíssima dureza, resistência química e retenção de brilho. O Esmalte Sintético é monocomponente à base de resina alquídica, que seca por evaporação de solventes. A resistência à abrasão, UV e químicos do PU é muito superior, resultando em durabilidade 3 a 5 vezes maior no ambiente agrícola.

3. Preciso remover 100% da tinta antiga antes de repintar?

O ideal é remover completamente. No mínimo, toda a tinta que estiver solta, descascando, com bolhas ou com ferrugem por baixo deve ser removida até atingir o metal limpo. Pintar sobre tinta mal aderida é garantir falha precoce do sistema novo. Se a tinta antiga estiver perfeitamente aderida, sem nenhum sinal de falha, ela pode ser mantida após lixamento de aderência e desengraxe rigoroso com solvente adequado.

4. Quantos litros de tinta eu preciso para repintar um trator completo?

Depende do porte do trator e da superfície a ser pintada. Como referência, um trator médio tem aproximadamente 25 a 35 m² de área pintável. Usando o Primer Epóxi Bicomponente da Eurolatina (rendimento de 10 m²/L) em 1 demão, você precisaria de 2,5 a 3,5 litros. Para o acabamento PU em 2 demãos com rendimento médio de 10 m²/L, seriam necessários 5 a 7 litros. Sempre adicione 10% a 15% de margem de segurança para perdas de aplicação.

5. Posso aplicar tinta epóxi e PU com pincel ou rolo, ou preciso de pistola?

Tintas bicomponentes epóxi e PU podem ser aplicadas com pincel, rolo ou pistola. Cada método tem vantagens e limitações. Pistola oferece o melhor acabamento e maior produtividade, mas exige equipamento e técnica. Rolo de espuma de alta densidade é uma excelente opção para superfícies grandes e planas, oferecendo bom nivelamento e consumo controlado. Pincel é adequado para retoques e áreas de difícil acesso. O importante é respeitar a diluição máxima recomendada e aplicar a espessura de filme adequada.

6. Quanto tempo depois da pintura posso usar a máquina normalmente?

Para sistemas epóxi bicomponente, a secagem ao toque ocorre em 4 a 6 horas a 25°C. Manuseio leve pode ser feito após 24 horas. Mas a cura completa, quando o revestimento atinge 100% de suas propriedades mecânicas e químicas, leva de 7 a 10 dias. Para uso leve da máquina, aguarde no mínimo 48 horas. Para trabalho pesado no campo, o ideal é aguardar 7 dias após a última demão de acabamento.

Próximo passo: proteja seu investimento agora

Se você chegou até aqui, já entendeu que a ferrugem na sua máquina agrícola não é uma fatalidade. É consequência direta de decisões que podem ser mudadas. A escolha é sua: continuar com repinturas baratas que falham em menos de 2 anos, aceitando a desvalorização progressiva do seu ativo. Ou investir uma única vez no sistema correto, que vai proteger sua máquina por 5 a 7 anos ou mais.

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas movimentou R$ 66,75 bilhões em 2025. São ativos caros, que precisam trabalhar duro e manter valor de revenda. A pintura não é um detalhe estético. É proteção real do seu investimento.

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A ferrugem não é inevitável. É evitável. Com o sistema certo, aplicado da forma certa.


Fontes e Referências

  1. CNN Brasil. "Setor de máquinas agrícolas vai crescer 3,4% em 2026, prevê Abimaq". Janeiro de 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/
  2. Brasil 247. "Indústria de máquinas agrícolas do Brasil aumenta vendas em 7,4% para R$ 66,75 bilhões". Janeiro de 2026. Disponível em: https://www.brasil247.com/agro/
  3. Veolia Water Technologies. "Gestão de corrosão de ureia e nitrato de amônio (UAN)". Outubro de 2020. Disponível em: https://www.watertechsolutions.com.br/
  4. Rijeza Blog. "Desgaste por corrosão de enxofre em indústrias de fertilizantes". Disponível em: https://rijeza.com.br/blog/
  5. WEG Tintas. "Soluções para Máquinas e Implementos Agrícolas - Catálogo Técnico". Disponível em: https://static.weg.net/medias/downloadcenter/
  6. MD Cor Tintas Industriais. "Implementos Agrícolas e Rodoviários". Dezembro de 2022. Disponível em: https://mdcor.com.br/
  7. Eurolatina Química. "Linha de Produtos para Metal Mecânica". Disponível em: https://eurolatinatintas.com.br/pages/metal-mecanica
  8. Associação Brasileira de Corrosão (ABRACO). "Custos da corrosão no Brasil". Estudos técnicos sobre impacto econômico da corrosão na indústria brasileira.